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Dez gigantes de bronze evocam silêncio no Marquês de Pombal
(DESTAK/LUSA -
www.destak.pt )
Dez gigantes em bronze com a boca tapada, que representam "tudo o
que as pessoas preferem não dizer", foram colocados na praça do
Marquês de Pombal, em Lisboa, para assinalar a realização da XIX
Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo.
Os gigantescos bustos em bronze foram criados pelo escultor mexicano
Rivelino, após a encomenda de um projecto de arte pública por
parte do governo do México.
"Nuestros Silencios" é o título da exposição que será inaugurada
oficialmente na segunda-feira, dia 23 de Novembro, pelas 18:00, pelo
presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, o
embaixador do México em Portugal, Mauricio Toussaint, e o artista
Rivelino.
As peças vão ficar em Lisboa até 10 de Janeiro de 2010 e seguem
depois em itinerância para Madrid, Bruxelas, Roma, Berlim, Londres
e, finalmente, em Bordéus, na França.
"Estes bustos monumentais representam a liberdade de expressão em
geral", explicou o artista mexicano à Agência Lusa.
Rivelino - nascido em Jalisco, em 1973, e formado pela Escola de
Cerâmica do Instituto Nacional de Belas-Artes do México - nunca
tinha realizado um projecto com peças tão monumentais, com 3,5
metros de altura e 850 quilos cada.
"Habitualmente, as minhas peças são mais pequenas, e são abstractas",
assinalou o escultor, que há 15 anos se dedica totalmente às artes,
incluindo a pintura e a cerâmica.
Sobre a escolha do número de esculturas, Rivelino explicou que
pensou durante bastante tempo num número com significado místico ou
cabalístico.
Acabou por escolher o 10 porque "é composto por dois números
importantes: toda a gente aspira a ser o primeiro, e o zero
significa o nada, são opostos".
"Mas também porque toda a tecnologia actual se baseia nestes dois
números, que podem também ser representativos para a arte",
considerou.
Quanto à falta de liberdade de expressão, ela vai desde o conceito
mais geral, da repressão política ou ideológica da sociedade em que
se vive, mas também abarca os domínios mais pessoais.
"Há silêncios que duram um minuto, e outros toda a vida", comentou
Rivelino.
E a selecção do espaço para colocar os bustos? Depois de uma pequena
sondagem à população de Lisboa, sobre um lugar emblemático de
eleição, a maioria das respostas apontou o Marquês de Pombal.
"Parece que é aquele com que mais se identificam os lisboetas",
concluiu.
"Nuestros Silencios" inclui também uma peça em aço de dois metros de
altura e largura, chamada "Cubo Táctil", que comporta no seu
interior quatro esculturas à escala, idênticas às que se encontram
no exterior, com a finalidade de serem tocadas e proporcionar ao
público uma experiência diferente.
Em Lisboa, a exposição é co-organizada pela Câmara Municipal e pela
Embaixada do México em Portugal, no âmbito da XIX Cimeira
Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, que vai decorrer
no Estoril, nos dias 30 de Novembro e 01 de Dezembro. |